quinta-feira, 29 de dezembro de 2016


Me calo
Te contemplo
Súbito sinal de amor.
Apago a luz
Procuro...
Te conduzo do tântrico
Ao desesperador


Ao desvencilhar-se de mim
A delicadeza assim se perde
No contraste
Da vontade que em mim cresce

Não obstante
Tua natureza me revigora
Tua beleza em mim se choca
Meu desejo enfim transborda

sexta-feira, 18 de março de 2016



Somos loucos de loucuras
Verdadeiros por verdade
Dissipamos medos
Ao encontrar o real
Tangencio
E a tiro pra dançar
Ao colocar dúvidas em suas certezas
Mas amplio sua ética
Ao trazer certezas para suas dúvidas
Questionar é refletir
Refletir é calar
Brindamos então ao silêncio
Tênue e profundo
Quase como crianças
Brincado de aprender a amar.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Resultado de imagem para fotos surreais

Carcomi até não mais poder
E ruí
De tanto próprio me roer.
A loucura me invade
Estás aqui ao meu lado 
E não consigo te esquecer...


Vão se as horas
Tantos são caminhos
Por um mundo afora.
O tricô surrado novamente vestido
Com seu fio aparente
Que quando puxado
Traz história ao presente.
E quanta surpresa
Atualizar é fortalecer
Um vagalhão de afinidades
De liberdade em palavras
Reencontrar é alegria
E está sendo um prazer.
O mundo é astuto
Nossa confiança
Fundamental
Carinho e cuidado, tal reciprocidade
É nossa benção contra todo o mal.
Firma com delicadeza e atitude
Tão sereno e real
Um bem estar inenarrável
Que não cabe a nada comparar
Nem ousar, quiçá, analisar
Vamos seguindo e juntos sentindo em tuas palavras 
Onde permeio meu contexto
E meu afeto vira o teu
Até de novo virar meu



É singular
E feminino
O carisma do beijo
(Teu)
É Protetor

E masculino
O aperto do abraço
(Meu)
Acima das nuvens nos elevamos
E juntos enxergarmos além.
Minha mão desliza sobre a tua
Consonante e consciente
Que a partir do teu beijo estou eu
E que ao terminar do meu abraço tu estás
Isso é sim entre mim e você
Única e exclusivamente

Sobre nós

terça-feira, 14 de abril de 2015


Algo diferente fora percebido desde o primeiro momento. E por mais que se esforçassem era impossível classificar.
Limitavam-se a sentir. E sentindo, conversavam, e conversando impregnavam-se da sensação que o dia a dia era pura arte em estado bruto. E ainda como arte, inclassificável em cores ou palavras.
Algumas vezes imaginavam-se como pintores, explodindo mil cores em sua tela, com todos as nuances, matizes e degradées possíveis, guiadas pela sensibilidade abstrata que explode em alguns pares de almas.
Outros momentos, quando poetas, por mais hábil e dedicada pena que tivessem, capazes de pontilhar em mil dialetos diferentes, ainda assim não a traduziam de forma completa. Tons e entonações eram insuficientes diante de profunda  abstração de sensibilidade.
Acontecia e era inevitável não acontecer mais e mais.
Do temporal mais inclemente que, carregado de ternura, cede ao sol nascente ou poente. Do amor incondicional que só o sangue da família carrega. Da amizade pura e serena, que profanada pela santidade visceral da carne os une no que ambos podem gerar de melhor: seus frutos.
Milhares deles. Seculares, milenares.
Sabidos em cores,  poesias e sabores forjados entre seus prazeres e suas dores.
São duas almas, delineadas por suas histórias e agora talhadas..
A quatro mãos.


segunda-feira, 13 de abril de 2015


Não houve surpresa quando irrompeu a necessidade atroz da proximidade. E não por acaso aceitaram que, dali em diante, um fazia parte da vida do outro.

Era algo que simplesmente fluía e acontecia à revelia de qualquer plano ou caminho que pudessem idealizar.

Estar juntos era real agora.
Era assim que se sentiam e, sobretudo, compreendiam.
Sentiam-se agraciados, pois intimamente e sem necessidade de verbalização, sabiam que  o futuro vinha carregado das dualidades que só a ele pertence, mas que  a linha contraponto chamada de passado foi quem os forjou, numa construção ampla, grata e cortês.
Explodiu então, a percepção de que viver era o maior presente que a vida lhes dera. E que o desejo latente e insuportavelmente crescente, era a liga que faltava.

Aquela serenidade intensa que os tornava um. 
Pouco tempo se passara, quando na escuridão da noite sentiram suas energias atingirem seu ponto mais alto.
Pareciam tão aguçados um ao outro que, aos seus olhos, estar na mesma hora e lugar era inevitável. 
Havia algum tempo espreitavam vida e senti-la os infestando trouxe muita emoção à flor da pele. 
Era uma espécie de urgência altruísta, aquilo que os acometera. Um manifesto a dois, silencioso e vibrante que espantava e causava admiração. Não havia indiferença ali, apenas comunhão e a busca incansável de fazer e sentir-se bem.
Intimamente sabiam do que implicava estarem ali, lado a lado. E que cada passo dado era de mãos dadas.
Era deles ser assim, tão prudentes e solidários.
E não havia como ser diferente. 

Juntos, como se submeteram, tinham esse contorno protetor.
Ao imaginar seu semblante, ela teve plena convicção que a expressão de surpresa e ternura que possuía era a mesma da dele, quando se despediram.
Aquele "até breve" deixou ambos leves e pensativos, refletindo longamente no encontro que acabara de acontecer.
Era incrível como uma simples conversa em tom cordial, e instintivamente cúmplice, havia transcendido exponencialmente a expectativa de ambos. 
Havia uma busca implícita que, naquele momento, havia sido delicadamente saciada.
Eram maduros, apesar da pouca idade dela, e gozavam da plenitude que essa condição traz a quem realmente permite se conhecer.
Por isso, definitivamente não era parte de nenhum deles ter uma visão míope e distorcida da vida. Provavelmente essa percepção, quase que um reconhecimento entre iguais, tenha sido o primeiro estopim da empatia que se evidenciara entre eles. Havia frescor e vigor. Intensidade e controle. Equilíbrio e vontade.
Diante de tal igualdade, mesmo a olhos fechados, estavam certos de que, se o futuro é um cavalo "ingalopável", fariam o cirurgicamente melhor possível, para tornar seu presente virtualmente inesquecível.

E através de seus frutos, um futuro muito mais que a dois...
Era um sonho à distância,
De repente presente
Nosso olhar cúmplice.
Coisa da gente.
Nosso encontro real
De tal forma e jeito
Uma dança a dois
Ao som do silêncio
Bailar milimétrico
Um sintonizar nunca desfeito.
Apropriação mútua
Da alegria contente
Do sorriso no rosto
Ansiedade do corpo
(afastado do leito)
Satisfação em estar
Juntos a dois
Entrelaçados

Somente coisa da gente... 

Somos há tanto tempo nós, que a vida virou um turbilhão
Uma loucura onde fizemos residência.
Em meio a vácuos de tempo conseguimos ser
E ocupamos todos os espaços que nossa loucura permitiu.
Criamos oportunidades e nelas nos encontramos.
Em meio a cantigas, poesias, rimas e brisas de sol e chuva construímos frágil e forte palafita.
Vida sim tão cheia de vida.
Num roçar de dedos tão perto do céu...



Meu olhar te segue fixo. Um  sonho acordado pela linha do horizonte.
O pensamento vagueia além do tempo. Cruzando a tênue linha que separa saudade da necessidade.
Carne que se retrai, ressentindo-se da presença
E que se expande quando corpo no corpo.
Somos nós.


São nossos laços.
Saboreio o teu silêncio na boca
A serenidade sentida na pele
Espalmo a mão sobre você
E teus olhos fechados
Dão a dimensão do quanto é minha
Invade a saudade
De uma vontade que está por vir
Tempo em absoluta inércia
Exultante na sobriedade poética

A um repente de transbordar....

Estavam visivelmente sensibilizados.
A prontidão com que se submeteram um ao outro era sincera, e beirava o irracional.
Num contraste entre leveza e profundidade, encontraram um tipo diferente de entrega.
A vontade de um tinha princípio, meio e fim na do outro, estabelecendo uma sensação de cadência como raramente aconteceu.
A leveza com que se conduziam lembrava uma dança silenciosa, um balé sensorial.
Um sopro de liberdade varria suas certezas.
E então não havia mais urgência.
Apenas era senso que tempo era um bem que não seria desperdiçado.
Inconscientemente sentiam-se regidos por uma única lei.
A de sentir mais e mais, como se não houvesse limite
E vazão.